1 de dezembro de 2009

Irmãs BRONTË


Das irmãs Brontë, acho original a ideia de três irmãs escritoras, a viverem na mesma casa e a partilharem ideias literárias.
Imagino-as num presbitério, da primeira metade do século XIX, em Haworth no Yorkshire: Emily, mais alta, bonita, alegre e impetuosa; Charlotte, mais serena e sensata; e Anne, a mais pequena e tímida. Pura imaginação minha, porque as irmãs Brontë não iam muito ao fotógrafo.
Também, pelo que se sabe, não tiveram o carinho de uma mãe (que morreu cedo), não se vestiam à moda, não iam a festas, não conviviam com outras pessoas e não tiveram namorados.
Restava-lhes o silêncio, o clima agreste, um pai austero, que não permitia que comessem carne, nem consentia cortinas, tapetes ou outros adornos em casa, uma casa fria e desprovida de conforto e a doença.
E, ainda, os passeios pela charneca, a imaginação e os livros. Sim, os livros!
O que escreveram foi uma manifestação de rebeldia contra os preconceitos da sociedade em aceitar que as mulheres pudessem ser escritoras. Prova-o o facto dos seus romances precisarem, primeiro, de serem publicados, com pseudónimos masculinos, para terem aceitação e êxito.
Morreram novas, com tuberculose.
Charlotte, que perdeu três irmãos em nove meses (Branwell, Emily e Anne), ficou sozinha. Continuou a escrever, casou e algum tempo depois, morreu também.
Delas ficaram dois livros admiráveis intitulados A Paixão de Jane Eyre e O Monte dos Vendavais, que guardo com muito carinho na minha estante.

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